Osasco implementa ônibus 100% elétricos e promete melhorias

Fonte: Diário do transporte
Por Letícia Lima Laurino
A cidade de Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo, inicia em junho de 2025 a chegada de dez ônibus 100% elétricos, que irão operar em linhas municipais. O anúncio foi feito pelo prefeito Gerson Pessoa através das redes sociais. Isso representa o início da substituição gradual da frota movida a combustíveis fósseis por veículos mais limpos, silenciosos e tecnológicos.
“É mais conforto, segurança e sustentabilidade”, afirmou o prefeito.
Transporte mais moderno e sustentável
Os ônibus elétricos que serão integrados à frota são equipados com ar-condicionado, tomadas USB individuais, câmeras de videomonitoramento com reconhecimento facial e rampas de acessibilidade, garantindo mais conforto e segurança para passageiros e motoristas.
O projeto é fruto de parceria com a empresa Plug.in Mobility, especializada em tecnologia limpa para mobilidade urbana. Segundo a prefeitura, os veículos são dos mesmos modelos que já operam experimentalmente na cidade desde setembro de 2024.
Além de não emitirem poluentes, os ônibus são extremamente silenciosos, contribuindo para a redução da poluição sonora, um problema comum em centros urbanos densamente povoados como Osasco.
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População apoia, mas cobra resultado
Para quem depende diariamente do transporte coletivo, a notícia é positiva, mas acompanhada de ressalvas. A estudante Keysi Marry Terto Soares, de 21 anos, vê a mudança com bons olhos, mas lembra que a implementação precisa ser efetiva e não apenas simbólica.
“Ouvi falar que Osasco vai ter ônibus 100% elétricos. A cidade precisa evoluir mesmo, mas a gente também fica com o pé atrás. Uma coisa é o projeto, outra é a realidade.”
Keysi Marry
Keysi ainda descreve a situação atual do transporte público na cidade, como precária:
“Pegar ônibus em Osasco todo dia é um teste de paciência. Em horário de pico é lotação, gente apertada e ônibus quebrado. Ainda tem os que demoram pra passar. A gente perde o compromisso, chega atrasado no trabalho, e ninguém paga essa conta.”
Ela destaca que o que mais a incomoda atualmente é o descaso com os usuários, refletido em ônibus sujos, sem ar-condicionado e, por vezes, com motoristas pouco colaborativos. Ela também reclama da longa espera nos pontos, problema que se agrava principalmente nos bairros mais afastados e nos fins de semana, ressaltando que parece haver um esquecimento da realidade dinâmica e intensa de Osasco, uma cidade que funciona 24 horas por dia.

Investimento público sob vigilância
Apesar de o valor total da operação ainda não ter sido divulgado oficialmente, a prefeitura informa que os investimentos vêm sendo feitos com apoio do orçamento municipal e de parcerias com empresas privadas.
Para a população, no entanto, o uso do dinheiro público deve vir acompanhado de resultados concretos:
“Investir em ônibus elétrico é positivo, mas desde que não seja só pra fazer propaganda política. O povo quer ver resultado na prática. Se for pra trocar meia dúzia de ônibus só pra dizer que ‘fez’, não adianta nada. Agora, se for parte de um plano sério, com manutenção, com aumento da frota e melhoria nas linhas, aí sim vale a pena.”
Keysi Marry
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Desafios ainda precisam ser enfrentados
Segundo a estudante, as prioridades da população usuária do transporte coletivo vão além da sustentabilidade e da estética dos veículos:
“Pra mim, as frotas de ônibus precisam de mais veículos circulando, principalmente nos horários de pico; pontualidade e menos tempo de espera; ar-condicionado de verdade; e ônibus acessíveis pra todo mundo, inclusive pra quem tem mobilidade reduzida.”
Keysi Marry
Ela também destaca o que considera mais urgente: “O mais urgente hoje? Aumentar a frota. De nada adianta ônibus novinho e bonito se passa só de meia em meia hora. Depois disso, melhorar o preço da passagem também seria um alívio.”
Caminho para o futuro
Com a chegada da nova frota elétrica, Osasco dá um passo importante para reduzir seu impacto ambiental e melhorar o serviço prestado à população. No entanto, a efetividade da medida será percebida não somente na aparência dos veículos, mas na experiência real de quem depende do sistema todos os dias.