Osasco: vida, cor e resistência

Por Ana Paula Fabricio da Silva
A periferia de Osasco, na região metropolitana de São Paulo, é palco de iniciativas que valorizam a arte, a identidade local e a resistência cultural.
O Homem. Saudade
No bairro Jardim Elvira, localizado na zona norte da cidade, o educador, ilustrador, quadrinista e produtor audiovisual Sidnei desenvolve o projeto “O Homem. Saudade”. A proposta do trabalho é valorizar a estética periférica e dar visibilidade à cultura das quebradas, destacando expressões autênticas da vivência urbana.
Ele também explicou que o nome ‘O Homem saudade’ representa a saudade de uma coisa que não existiu na verdade. “Uma coisa que eu sempre vivenciei por ser um homem preto, mas eu não sabia o que era. Então é um alter ego meu enquanto artista, então toda minha produção artística gira em torno do homem saudade”.
Escadão Cultural
Outra ação que se destaca é o Escadão Cultural na Quebrada, realizado na Vila Menck pelo coletivo Mutirão Cultural na Quebrada. A iniciativa transforma paisagens urbanas por meio do grafite, utilizando a arte como forma de ocupar o espaço público com cor, significado e diálogo com o cotidiano da comunidade. Além de revitalizar os muros e escadões, o projeto promove um ambiente mais acolhedor e visualmente atrativo, fortalecendo a autoestima dos moradores e a identidade local.
As intervenções ocorreram na Rua São Bernardo do Campo e celebram a vida, a arte e a diversidade cultural da quebrada, ampliando a presença da arte nos espaços públicos.
Entre os artistas participantes estiveram nomes como Caracol, KVH, CLO, Bacuri, Vilões, Loga KDM, Helit, Olodum, Fantasmas, Versus, Outstep, Spiões, Jah no Controle, Oxe & THABA, Cheira Tinta, Semens, União 12, Dingos, LuizOne, WR, Free & Miguel e Gom. Cada um contribuiu com estilos e traços próprios, compondo uma galeria a céu aberto que agora integra o cenário urbano do bairro.
Ambos os projetos partilham o propósito de dar visibilidade à cultura periférica e empoderar a comunidade por meio da arte. Eles reforçam o papel da expressão visual e cultural como instrumentos de enfrentamento e afirmação em territórios marginalizados.