Política

Mulheres na política: uma entrevista com Stephanie Rossi

Filha de uma das grandes referências femininas de Osasco, Stephanie Rossi seguiu os passos da mãe e dos avós, Francisco e Ana Maria. Ingressou na política, após o falecimento de Ana Paula Rossi, ao herdar sua vaga na câmara 23 dias antes do primeiro turno da última eleição.

Mesmo com pouco tempo para fazer campanha e conseguir os votos necessários para se eleger pela primeira vez, Stephanie mostrou que a veia política veio de berço e conseguiu seu lugar na Câmara de Vereadores de Osasco.

Ela nos recebeu, gentilmente, para nos contar um pouco sobre a sua experiência como mulher e negra em um ambiente ainda tão machista. Falou sobre seus planos, projetos e sobre representatividade.

Aborda: Osasco ainda tem uma baixa representatividade de mulheres na Câmara Municipal. O que te motivou a entrar na política e quais desafios enfrentou para ocupar esse espaço?

SR: O que me motivou a entrar na política foi ver o empenho da minha mãe em ajudar as pessoas, sendo uma das únicas mulheres dentro da Câmara Municipal de Osasco e sempre realizando projetos maravilhosos pensando em melhorar a vida das pessoas. Isso me trouxe uma paixão imensa pela política. Por isso sempre acompanhei minha mãe nas campanhas, nos eventos e nas sessões ordinárias. A paixão por poder promover mudanças na vida das pessoas me motivou. São muitos os desafios que eu enfrento para ocupar esse espaço. Entre eles, ser uma mulher em uma área considerada “masculina”, ser jovem e ser preta… Os desafios se potencializam e muitos acham que eu ainda sou uma menina. Mas eu sou uma mulher e as pessoas precisam entender e me respeitar. Meu propósito é trabalhar para fazer a diferença e poder transformar a vida das pessoas.

Aborda: Você já sofreu preconceito ou machismo no exercício do seu mandato? Como lida com isso?

SR: Sim, já sofri machismo dentro do exercício do meu mandato, como imagino que muitas mulheres dentro da política, dentro da Câmara Municipal de Osasco, como vereadoras, já sofreram. Eu tento lidar com isso com muita sabedoria. É inaceitável ver que as mulheres ainda sofrem machismo. Seja no ambiente de trabalho ou em qualquer lugar, ser rebaixada pelo fato de ser mulher é inadmissível.

Aborda: Como podemos incentivar mais mulheres a participarem da política, especialmente na periferia?

SR: Nós podemos incentivar mais mulheres a participarem da política, especialmente na periferia, trazendo incentivos públicos para elas, principalmente por meio da educação política, para que elas conheçam seus direitos e entendam como elas podem defender suas pautas. Eu quero muito poder trabalhar para fortalecer a participação das mulheres na política.

Aborda: Quais são as principais demandas das mulheres em Osasco que precisam de mais atenção do poder público?

SR: Bom, são muitas as demandas. Mas, acredito que uma das principais, que precisa de uma atenção urgente do poder público, é a questão da segurança das mulheres. Penso que seria importante a Delegacia da Mulher funcionar 24 horas, para que as mulheres tenham mais segurança e possam ser acolhidas, quando necessário.

Aborda: Você já propôs ou apoia projetos voltados para a proteção das mulheres contra a violência doméstica na cidade?

SR: Destinei emendas para projetos importantes para projetos voltados à segurança da mulher e, também, para atender mulheres em situação de vulnerabilidade social. Entre eles está a compra de mais uma viatura para a equipe da Guardiã Maria da Penha e, também, um projeto maravilhoso para conscientizar as crianças sobre a violência doméstica. Precisamos de projetos de educação para tentar levar para as pessoas informações relevantes sobre esse tema. Também realizei, em parceria com a equipe da Guardiã Maria da Penha, uma palestra para falar sobre como a comunidade pode intervir em casos de agressão contra mulheres. Estou muito feliz por fazer parte dessas ações e sei que isso é só o começo. Espero poder fazer muito mais para garantir a segurança das mulheres para que elas possam se sentir seguras e respeitadas.

Aborda: Como fortalecer políticas que garantam mais autonomia econômica para as mulheres, principalmente as mães solo e moradoras da periferia?

SR: Nós podemos fortalecer políticas que garantam mais autonomia econômica para as mulheres, principalmente as mães solo e as mulheres que vivem na periferia criando políticas públicas com um olhar voltado para os maiores desafios dessa parcela da nossa população. Podemos também proporcionar oportunidades e dar a elas acesso à informação. Acredito muito na importância de garantir acesso também a cursos sobre política, direitos e sobre a participação da mulher dentro da política.

Aborda: Muitas meninas e jovens mulheres não se veem na política. Como podemos aproximá-las desse espaço e mostrar que a política também é lugar para elas?

SR: Nós podemos aproximar as mulheres, inclusive as meninas mais jovens, do espaço político e mostrar que a política também é um lugar para elas. Dar visibilidade para as mulheres que já estão militando politicamente para mostrar que temos representatividade dentro da política pública de Osasco. Me considero uma figura que pode atuar muito nesse sentido, e pretendo incentivar cada vez mais as meninas para que elas tenham interesse pela política da sua cidade.

Aborda: Qual recado você daria para as jovens que querem se engajar, mas sentem que a política é um ambiente hostil para mulheres?

SR: Isso é muito bom! Obrigada por me dar a oportunidade de falar diretamente com as mulheres. É muito importante que as mulheres estejam cada vez mais conscientes de sua importância e saibam que a política é para todos. Sei que muitas mulheres sentem que a política é um ambiente hostil para elas, mas se nós mulheres não nos posicionarmos e tomar os espaços que também são nossos por direito, nunca faremos a diferença. Quero deixar aqui meu incentivo como mulher, pois ainda sou uma mulher política que vive num ambiente de trabalho machista, e quero ver cada vez mais mulheres ocupando esse lugar.

Aborda: Você acredita que as escolas deveriam abordar mais a importância da participação política e do papel da mulher na sociedade?

SR: Sim, eu acredito que as escolas deveriam abordar mais a importância da participação política e do papel da mulher na sociedade. Se as mulheres não souberem quais são seus direitos como cidadãs, como poderão fazer a diferença?

Aborda: Em sua opinião, como a presença de mais mulheres na política impacta as decisões e prioridades do governo?

SR: Sem dúvidas, a presença das mulheres na política tem impactado as decisões e as prioridades do governo de diversas formas. Temos muitos estudos e muitas experiências ao redor do mundo que mostram que as mulheres em cargos públicos tendem a priorizar pautas como educação, saúde, assistência social, direitos das mulheres e políticas de combate à violência. Além disso, a diversidade na política traz uma visão mais ampla sobre os desafios da sociedade, tornando as políticas públicas mais inclusivas e eficazes.

Aborda: Você tem referência em alguma política ou liderança feminina que te inspira na sua trajetória?

SR: Sim, tenho diversas referências de lideranças políticas femininas que me inspiram. Vou citar as duas principais: minha mãe, Ana Paula Rossi que foi vereadora e, também, secretária de Assistência Social e de Educação. Também destaco a minha avó, Ana Maria Rossi, não menos importante, porque ela foi primeira-dama muito jovem e, também, foi vice-prefeita de Osasco.

Aborda: Como a sociedade pode contribuir para fortalecer o protagonismo das mulheres em posições de liderança?

SR: Cada um tem que fazer a sua parte e a sociedade tem um papel muito importante pois pode fortalecer o protagonismo das mulheres em posições de liderança. Isso pode ser feito por meio da valorização da equidade de gênero, do incentivo à participação feminina na política ou onde ela quiser, no mercado de trabalho, na tomada de decisões. Acredito que a desconstrução de estereótipos é importante para termos um mundo com mais oportunidades, em especial, para as mulheres. Também acredito que poderíamos promover políticas de inclusão nas escolas e nas empresas para garantir espaços de fala e decisão são passos essenciais. Além disso, a educação tem um papel fundamental para ensinar, desde cedo, que liderança não tem gênero.

Aborda: A ONG Projeto Base atua diretamente na comunidade, incluindo projetos sociais voltados para mulheres. Como o poder público pode apoiar mais essas iniciativas?

SR: Fiz uma breve pesquisa sobre a ONG e gostaria de conhecer mais sobre. Acredito que o poder público pode fortalecer iniciativas de organizações não governamentais, por meio de parcerias estratégicas, incentivo financeiro e políticas públicas que ampliem o alcance dessas ações. É essencial disponibilizar editais de fomento, criar espaços de diálogo entre governo e sociedade civil e garantir infraestrutura adequada para os projetos sociais.

Aborda: Existe algum projeto ou proposta em andamento para ampliar a rede de suporte para mulheres em situação de vulnerabilidade em Osasco?

SR: Sim, existe uma proposta em andamento, em conjunto com a Secretaria da Mulher de Osasco, para conscientizar a violência contra mulher, mas para as crianças, que é um grupo social que nós devemos ter muito cuidado ao debater sobre esse assunto.

Aborda: Como iniciativas comunitárias podem contribuir para a construção de uma sociedade mais igualitária e com mais oportunidades para as mulheres?

SR: Iniciativas comunitárias têm um papel fundamental na construção de uma sociedade mais igualitária e com mais oportunidades para as mulheres. Projetos locais de educação, capacitação profissional e assistência social ajudam a reduzir desigualdades e a fortalecer a autonomia feminina. Ao criar redes de apoio, oferecer informação e incentivar a participação ativa das mulheres na comunidade, essas iniciativas promovem mudanças reais, garantindo que mais mulheres tenham acesso a direitos e oportunidades. Quando a sociedade se mobiliza, cria-se um ambiente mais justo e inclusivo para todas.

Marcelle

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