Educação sexual não deve mais ser considerada tabu

 Educação sexual não deve mais ser considerada tabu

Falar sobre relações sexuais sempre foi um tabu na sociedade ocidental, muito por conta de questões socioculturais relacionadas à temática. No entanto, não discutir tal assunto tem resultado em altos índices de gravidez entre adolescentes e contração de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), algo que poderia ter sido prevenido a partir de aulas de educação sexual.

Segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), divulgados em 2023, o Brasil é o 2º país no continente americano em gravidez na adolescência, com uma média de 66,5 bebês nascendo da barriga de mil meninas entre 14 e 19 anos. Além disso, uma pesquisa do Ministério da Saúde com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que, em 2019, cerca de 1 milhão de pessoas contraíram infecções sexualmente transmissíveis e, entre 2007 e 2022, 102.869 jovens entre 15 e 24 anos contraíram o HIV.

Tais resultados evidenciam a falta de políticas públicas que assegurem o direito dos adolescentes à educação sexual nos ambientes escolares, principalmente em escolas de periferia. Isso ocorre porque movimentos conservadores temem que os jovens passem a ter relações sexuais de maneira desenfreada, mas, de acordo com o documento “Orientações técnicas internacionais de educação em sexualidade” da Unesco, a implementação de programas de educação sexual apenas ajuda os adolescentes a compreenderem melhor o sexo e suas repercussões.

Segundo pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal Fluminense (UFF), a escola deve, juntamente com as famílias dos alunos, proporcionar os recursos e ferramentas para que as crianças e jovens entendam mais sobre relações sexuais, os riscos de relações sexuais sem proteção e sobre a sexualidade em geral. “[…] a  Educação  Sexual  está  ligada  ao  fato  de  que  todo  indivíduo  tem  direito  à  informação sobre  seu  corpo  e  sexualidade.  Para  além  de  trazer  conceitos  prontos,  a  escola  deve  proporcionar subsídios para que o aluno seja capaz de formular suas próprias opiniões acerca dos conteúdos aos quais são expostos”, afirma a pesquisa.

 

 

Fonte: Boletim de Conjuntura

Pedro Ferro

Graduado em Jornalismo pela Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). Cursando desenvolvimento de roteiro na Cásper Líbero. Jornalista, redator, editor de vídeos, podcaster.

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