Barbearia em casa, coragem em dobro: o empreendedorismo de Júnior

Com amor pelo que faz, barbeiro cria novo caminho após acidente e mostra que empreender é também resistir
Por Mirella Pontes
(Foto: Arquivo Pessoal)
Em Carapicuíba, na Grande São Paulo, o barbeiro Júnior encontrou na barbearia adaptada uma forma de reconstruir a vida depois de um episódio traumático. Após ser baleado ao tentar separar uma briga em frente ao próprio salão, ele passou a usar cadeira de rodas e precisou se reinventar. Com quase uma década de experiência, decidiu transformar parte de sua casa em espaço de atendimento, mantendo a clientela e a mesma dedicação por cortar cabelo.
Júnior começou no ofício ainda adolescente, por necessidade. “Lá em 2013, quando eu tinha uns 18 anos, a grana tava curta. Comecei a cortar meu cabelo e dos meus irmãos em casa. Em 2015 fiz um curso e, em 2016, já tava trabalhando em barbearias de quebrada”, relembra.
Profissão que virou propósito
Com o tempo, além da técnica, veio o amor pela profissão. “É um ramo que dá pra ganhar dinheiro, manter uma vida boa, mas acima de tudo é uma profissão que eu amo. Gosto mesmo de cortar cabelo, de trocar ideia com os clientes. É isso que me move.”
Antes do acidente, Júnior era dono da própria barbearia, com clientela fiel e agenda cheia. Trabalhava de terça a domingo, das 9h às 19h, sem parar. Mas tudo mudou repentinamente quando ele foi baleado ao tentar separar uma briga de casal em frente ao seu estabelecimento. Desde então, utiliza cadeira de rodas.
Antes do acidente, Júnior era dono da própria barbearia, com clientela fiel e agenda cheia. Trabalhava de terça a domingo, das 9h às 19h, sem parar. A rotina intensa foi interrompida bruscamente, e ele precisou se adaptar a uma nova realidade física e profissional. Hoje, utiliza cadeira de rodas e encara o desafio de continuar exercendo a profissão com autonomia e criatividade.
A volta por cima
Após um longo período afastado, sem conseguir trabalhar ou sustentar a casa, Júnior decidiu retomar a profissão. “Além de precisar da grana, era a única coisa que eu sabia fazer. E mais que isso: cortar cabelo virou minha terapia. Me ajudou na fisioterapia física, na mental também. Me aliviava da angústia, do estresse, da ansiedade. Foi o que me puxou de volta.”
Sem conseguir voltar à antiga barbearia, ele adaptou um espaço dentro de casa e também sua forma de atender. “Antes, eu girava em torno do cliente. Agora, quem gira é o cliente. Eu fico sentado e corto de um lado, depois do outro. Eles se ajeitam, se debruçam, tem toda uma técnica.”
A clientela mudou. “Metade das pessoas que cortavam comigo continuaram vindo. A outra metade parou, por conta da distância… ou por preconceito. Teve gente que nem respondeu mais no WhatsApp quando eu avisei que estava atendendo de casa e na cadeira.”
A quebrada como ponto de partida
Empreender onde nasceu tem um peso especial para Júnior. “Significa tudo. Foi de onde eu vim, onde cresci, onde aprendi tudo. Meu sustento, minhas amizades, meus aprendizados, tudo tá aqui. Meu trampo sempre foi e continua sendo na quebrada. É minha realidade e minha possibilidade.”
Mesmo com as limitações, ele sonha alto. “Eu tenho muitos planos pra quando eu estiver quase cem por cento recuperado, sem andador, sem apoio de nada, quando eu estiver mais recuperado. Quero expandir. Ter um espaço mais apresentável, crescer mesmo. Penso até em abrir outros estabelecimentos.”
Para quem deseja empreender, especialmente enfrentando dificuldades, ele deixa um conselho: “Qualquer conselho que a gente dá para alguém passando necessidade parece babaca, mas eu aconselho a todos que querem empreender e começar de baixo a escolher alguma coisa que você goste de fazer, porque quando você escolhe algo que gosta consegue perseverar por mais tempo em busca de um resultado que a gente almeja. A persistência vai fazer a pessoa chegar em algum lugar. Esse é o segredo de tudo: persistir e apresentar um trabalho mais eficaz possível independente da área que for trabalhar. Esse é o maior conselho”.
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