Acesso a informação em saúde. Foto: Nutricionista Andreia Torres
Matéria escrita por Thony Azevedo. Contato: anthony.azevedo@ichca.ufal.br
Acesso à informação em saúde é um direito fundamental que impacta diretamente na qualidade de vida da população, mas nas periferias, esse acesso muitas vezes enfrenta obstáculos significativos. Esse acesso à informação em saúde emerge como um desafio crítico que afeta diretamente a qualidade de vida da população local. Diante de um cenário marcado por desigualdades socioeconômicas, o conhecimento sobre serviços de saúde disponíveis, prevenção e tratamento torna-se uma ferramenta essencial para promover o bem-estar e a conscientização da comunidade. Nesta matéria, exploramos os desafios enfrentados pelas comunidades periféricas e as perspectivas para superar essas barreiras em prol de uma vida mais saudável.
Nas periferias, a falta de infraestrutura de saúde adequada é uma realidade preocupante. Centros de saúde saturados, longas filas de espera e a escassez de profissionais de saúde são apenas alguns dos desafios cotidianos enfrentados pelos residentes dessas áreas. Além disso, a carência de informações claras e acessíveis torna difícil para a população entender os serviços disponíveis e como acessá-los. Nesse contexto, Marilac Gomes, moradora dedicada da comunidade de Osasco, compartilha suas observações sobre as barreiras enfrentadas pelas pessoas humildes e a necessidade de medidas mais eficazes para atender às demandas de saúde.
Ela avalia que, embora as informações sobre os serviços de saúde estejam disponíveis, a acessibilidade é prejudicada pela humildade e pouco entendimento predominantes na comunidade. A locomoção até os postos de saúde é muitas vezes a única opção, dada a carência de recursos na região.
“O povo da periferia, por se tratar de pessoas mais humildes e com pouco entendimento, tem mais dificuldade de acesso às informações de saúde. Além disso, percebo que há um certo desinteresse, o que torna ainda mais desafiador”.
A desigualdade social e econômica impacta diretamente o acesso à informação em saúde. Muitas famílias nas periferias lutam para atender às necessidades básicas, priorizando alimentação e moradia em detrimento da busca por informações sobre saúde. Além disso, a falta de educação formal pode contribuir para a falta de compreensão sobre a importância da prevenção e cuidados com a saúde.
Para Maria Moura, moradora da periferia, obter informações sobre saúde muitas vezes parece uma tarefa impossível. “Não temos acesso fácil a informações sobre prevenção, tratamento ou até mesmo sobre os serviços disponíveis na nossa comunidade”, relata Maria. Ela destaca que a falta de acesso à internet e a desinformação contribuem para a dificuldade em buscar informações relevantes sobre saúde.
Além disso, a falta de profissionais de saúde nas periferias cria uma lacuna na comunicação. “A falta de profissionais de saúde aqui é evidente, resultando em um atendimento precário, com poucos recursos disponíveis para atender muita gente. Isso nos deixa em uma situação difícil, muitas vezes recebendo orientações de pessoas que, infelizmente, nem sempre estão devidamente preparadas para nos fornecer o suporte necessário”, acrescenta Maria.
Marilac também destaca a necessidade de mais agentes de saúde dedicando atenção à comunidade carente. Sua observação ressalta a falta de orientação, especialmente entre as mães de poucos recursos que, por vezes, deixam de vacinar seus filhos, mesmo diante de um serviço gratuito.
“Seria essencial ter mais agentes de saúde, mais atenção à nossa comunidade. Vejo mães que, por falta de informação, deixam de vacinar seus filhos, mesmo com um serviço tão importante e gratuito disponível”.
Para abordar essa lacuna, algumas iniciativas locais buscam preencher as brechas no acesso à informação em saúde. Organizações não governamentais e grupos comunitários têm desenvolvido esforços para disseminar informações relevantes por meio de palestras, folhetos informativos e eventos de conscientização.
Entretanto, a eficácia dessas iniciativas depende significativamente da colaboração entre órgãos governamentais, instituições de saúde e a própria população. Como sugestão para superar essas barreiras, Marilac propõe o desenvolvimento de aplicativos eficazes e interativos, criados especificamente para despertar o interesse da comunidade carente.
“Poderiam desenvolver aplicativos mais eficazes e interativos. Acredito que isso despertaria mais interesse na comunidade, facilitando o acesso à informação e ajudando a conscientizar sobre os cuidados com a saúde”.
Esta matéria não busca apenas relatar desafios, mas instigar uma mudança significativa. A população, especialmente aqueles que residem nas periferias, deve demandar transparência e acessibilidade nas informações de saúde. É imperativo que as autoridades municipais, estaduais e federais priorizem o desenvolvimento de estratégias eficazes para promover a saúde nas comunidades menos favorecidas.
O acesso à informação em saúde não é apenas um direito, mas uma ferramenta vital para empoderar as comunidades, permitindo que façam escolhas informadas sobre suas vidas e bem-estar. É hora de garantir que nenhum cidadão das periferias brasileiras seja deixado para trás quando se trata de informações essenciais para a sua saúde. A responsabilidade é compartilhada por todos: governantes, profissionais de saúde e cidadãos. O acesso à informação em saúde deve ser uma prioridade, e sua ausência não pode ser tolerada em uma sociedade que busca a equidade e o progresso.
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Muito interessante! Gostei muito, tá de parabéns porque realmente tudo o que citado nesta matéria é uma verdade que infelizmente se aplica em todo o país.
Existem cenários ainda mais complicados, como no interior em que para se conseguir algum atendimento médico é necessário se deslocar para algum município vizinho. Além de haver muita desinformação nos postos, nem todas as pessoas também possuem condições de obter acesso a saúde em outras cidades. É lamentável!
Muito interessante a matéria e de muita importância pra sociedade! Parabéns ao redator pelo excelente trabalho.
Parabéns pelo excelente texto! A forma como você abordou o acesso à informação em saúde nas periferias foi incrivelmente envolvente. A clareza de suas ideias e a profundidade da análise realmente me impressionaram. Fiquei inspirado pela maneira como você abordou a questão. Seu talento para a escrita é notável. Mal posso esperar para ler mais do seu trabalho! Continue assim!
Muito bom mesmo! Gostei!