A luta pelo fim da violência contra a mulher

 A luta pelo fim da violência contra a mulher
Jornal a Borda

A violência contra a mulher segue sendo um problema grave e persistente no estado de São Paulo, com sinais preocupantes de aumento em indicadores relevantes neste ano. A capital, em particular, registrou um crescimento no número de feminicídios que acendeu alertas entre especialistas e movimentos sociais. Dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e levantamentos da imprensa mostram que 2025 é um ano de retrocesso em termos de segurança das mulheres em vários municípios do estado. 

Relatórios e bases estatísticas oficiais do estado mostram que, apesar de políticas públicas pontuais — como a ampliação do atendimento das Delegacias de Defesa da Mulher por videoconferência e a abertura de novas salas de atendimento — os indicadores mais graves, como feminicídios, apresentam alta em 2025 em comparação com anos anteriores. A imprensa especializada registrou que a cidade de São Paulo bateu recorde histórico de casos no ano. Esses dados têm alimentado debates sobre a efetividade das políticas públicas e sobre a necessidade de ações integradas entre saúde, segurança e assistência social. 

Resposta municipal e serviços de acolhimento

Em Osasco, a prefeitura vem ampliando a rede de proteção às mulheres. Desde 2023 o município inaugurou Centros de Referência da Mulher Vítima de Violência (CRMVV) e mantém canais de atendimento, convênios com a Defensoria Pública e procura articular suporte jurídico e social para as vítimas. A rede municipal lista endereços e contatos dos centros e destaca iniciativas locais de orientação e acolhimento. Apesar dessas estruturas, representantes locais e coletivos apontam para a necessidade de mais investimento, descentralização do atendimento e ações preventivas que cheguem às periferias.

No dia a dia, a delegacia especializada (Delegacia de Defesa da Mulher de Osasco) e os CRMVVs são os pontos para registro e encaminhamento; a prefeitura também divulga canais de atendimento sigiloso e a Procuradoria Especial da Mulher da Câmara municipal que presta orientações. As redes locais — públicas e não governamentais — são consideradas vitais para reduzir o risco imediato e encaminhar a vítima para proteção, atendimento psicológico e medidas judiciais. 

Movimento Olga Benário

O Movimento de Mulheres Olga Benário é uma organização de base que atua nas periferias e em várias cidades do ABC e da Grande São Paulo, organizando núcleos, ocupações, campanhas e casas de referência para mulheres. O grupo combina ações políticas (mobilizações, encontros e formação) com atendimento comunitário em iniciativas locais — por exemplo, ocupações e casas da mulher operária em municípios da região. Nos últimos anos, o movimento tem ganhado visibilidade por articular pautas de enfrentamento à violência, habitação e direitos das mulheres trabalhadoras.

Integrantes do movimento relatam que sofrem resistência e, em algumas situações, ataques e tentativas de intimidação — reflexo das tensões políticas locais e regionais que envolvem pautas de gênero e ocupação de espaços públicos. Ainda assim, o movimento segue promovendo formação política, campanhas contra a violência e ações de apoio direto a mulheres em situação de vulnerabilidade.

Principais desafios apontados por especialistas e coletivos

  1. Denúncia e sub-registro: muitos casos não chegam a ser denunciados por medo, dependência econômica ou descrença no sistema de proteção.
  2. Integração entre áreas: a necessidade de coordenação entre segurança pública, saúde mental, assistência social e rede jurídica é constantemente destacada.
  3. Atenção à interseccionalidade: mulheres negras, em situação de pobreza, migrantes ou em ocupações populares enfrentam maiores barreiras de acesso a serviços.
  4. Prevenção: ampliar ações educativas e programas de masculinidades é visto como essencial para evitar a escalada da violência.

O que as mulheres podem fazer?

Em Osasco há CRMVVs com telefone e WhatsApp de acolhimento, a Delegacia de Defesa da Mulher com atendimento presencial para registro, e canais de orientação jurídica pela Procuradoria Especial da Mulher da Câmara. Procurar o CRMVV local, registrar ocorrência na DDM e buscar orientação da Defensoria são passos que podem garantir medidas protetivas imediatas. A prefeitura divulga os contatos públicos dos centros de referência.

Os recentes números em São Paulo mostram que a luta contra a violência de gênero não pode relaxar: é preciso reforçar atendimento imediato, prevenção e políticas estruturais que enfrentam desigualdades. Movimentos como o Olga Benário têm ocupado um papel de articulação e pressão política importante, ao mesmo tempo em que constroem redes de suporte em nível local. A combinação entre ações do poder público, movimentos sociais e participação comunitária é hoje o caminho mais promissor para reduzir riscos e proteger vidas.

Fernanda Matos Oliveira

Redatora

8 Comments

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