Muito Além dos Hospitais: Como o SUS Sustenta a Saúde do Brasileiro no Dia a Dia

 Muito Além dos Hospitais: Como o SUS Sustenta a Saúde do Brasileiro no Dia a Dia
Jornal a Borda

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Quando pensamos no Sistema Único de Saúde (SUS), a primeira imagem que costuma vir à cabeça é a de um hospital cheio de movimento. Mas, na verdade, a maior parte do cuidado que o SUS oferece acontece longe dos centros cirúrgicos e das emergências. É no dia a dia, de forma silenciosa, que o sistema sustenta uma rede enorme de serviços que garantem saúde para milhões de brasileiros.

De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 180 milhões de pessoas dependem — totalmente ou em parte — do atendimento realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que são a porta de entrada do SUS. Nessas unidades, acontecem desde consultas e vacinação até acompanhamento de doenças crônicas, exames simples e cuidados contínuos. A Atenção Primária, sozinha, resolve cerca de 80% das necessidades de saúde da população, ajudando a evitar que hospitais fiquem sobrecarregados (OPAS, 2021).

Outro pilar fundamental é a Estratégia Saúde da Família (ESF), presente praticamente em todo o país. As equipes vão até as casas das pessoas, acompanham pacientes acamados, gestantes e crianças, e realizam atividades educativas. Estudos da Fiocruz mostram que municípios com maior cobertura da ESF têm menos internações por doenças que poderiam ser evitadas (Fiocruz, 2022).

Na saúde mental, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) representam uma virada de chave em relação ao antigo modelo manicomial. Eles oferecem apoio psicológico e psiquiátrico, oficinas terapêuticas e acolhimento em momentos de crise. Hoje, o Brasil conta com mais de 2.800 CAPS, incluindo unidades especializadas no atendimento a pessoas com problemas relacionados ao álcool e outras drogas.

O cuidado fora dos hospitais também inclui o SAMU 192, criado em 2003. Ele funciona como um salva-vidas sobre rodas: recebe ligações de emergência, faz triagens e envia ambulâncias básicas ou avançadas. Só em 2024, o serviço realizou mais de 4 milhões de atendimentos.

Além disso, o SUS mantém uma rede de centros especializados que realizam exames mais complexos, como mamografias e ultrassons. Na área odontológica, os Centros de Especialidades Odontológicas oferecem cirurgias e tratamentos avançados. E a Vigilância em Saúde atua nos bastidores, monitorando surtos, fiscalizando alimentos, controlando mosquitos e organizando campanhas de vacinação que alcançam o país inteiro.

O acesso a medicamentos também é garantido por programas como a Assistência Farmacêutica e a Farmácia Popular, que oferecem remédios gratuitos ou com descontos para condições como diabetes, hipertensão e asma. Mais de 20 milhões de brasileiros são beneficiados por esse programa todos os anos.

Mesmo enfrentando desafios, especialistas lembram que o SUS salva vidas justamente porque funciona de forma integrada, contínua e capilarizada. Para a OPAS, o sistema brasileiro está entre os maiores e mais complexos do mundo, com grande capacidade de resposta — algo que ficou evidente durante a pandemia de COVID-19.

Se os hospitais cuidam dos casos mais graves, o SUS, no dia a dia, acontece bem antes disso: nas ruas, nos lares visitados por agentes comunitários e nos centros que trabalham para prevenir doenças. Como resume a Fiocruz, o SUS existe onde a vida acontec” — e é exatamente isso que faz dele tão essencial para o Brasil.

FONTE:
Fiocruz – Instituto de Saúde Coletiva (ISC)
Pesquisas sobre eficácia da ESF, impacto dos CAPS, vigilância epidemiológica e organização territorial do SUS.
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
Estudos sobre financiamento, efetividade e desigualdades regionais no SUS.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
PNAD Contínua e PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) com dados sobre utilização de serviços ambulatoriais e APS.
Ministério da Saúde — DATASUS
Ministério da Saúde — Secretaria de Atenção Primária (SAPS)

Kamila Cristina Moraes

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