Aulas de reforço escolar: quando a sala de estar vira sala de aula

Em Osasco, a sala de estar, a cozinha ou a varanda podem se transformar em sala de aula. A professora Celeste Silva de Meneses dedica seus dias a contribuir com a educação de seus alunos. Ela recebe dez crianças do bairro, oferecendo 17 aulas de reforço semanais que ajudam a preencher lacunas deixadas pelo ensino formal.
Mais do que revisar conteúdos, o reforço escolar garante acompanhamento individualizado e personalizado, fundamental para tirar dúvidas e desenvolver habilidades que a escola, muitas vezes, não consegue atender sozinha.
Precarização das escolas públicas
A dificuldade de aprendizado, somada ao déficit de professores na rede pública, tem aumentado a procura por apoio extra. Muitas escolas contam com poucos docentes diante de turmas cheias, dificultando a atenção individualizada necessária para o desenvolvimento dos estudantes.
Além disso, a precarização dos espaços e a falta de materiais escolares colocam os alunos em um ambiente que favorece a evasão. Segundo dados do Nexo Políticas Públicas, a desmotivação é o segundo principal motivo pelo qual jovens não concluem a educação básica.
O papel do reforço escolar
Em 2023, a parcela de estudantes que não demonstraram aprendizagem adequada em nenhuma das áreas (Português ou Matemática) caiu para 38,6%. Ainda assim, menos da metade dos alunos apresenta proficiência suficiente nas duas disciplinas simultaneamente.
É nesse contexto que entram as aulas de reforço, ajudando a equilibrar o desempenho em sala de aula. Muitos pais, sem condições de pagar cursinhos privados ou sem tempo para ajudar os filhos nas tarefas de casa, encontram nas iniciativas locais uma alternativa essencial.
A experiência da professora Celeste
“Trabalhava em uma escola e resolvi empreender. Vi um diferencial em oferecer aulas particulares a domicílio. Logo apareceram os primeiros alunos. Hoje já estou na segunda geração”, conta Celeste.
As aulas acontecem em pequenos grupos ou de forma individual, garantindo atenção personalizada. Entre exercícios de português e matemática, há momentos de conversa e acolhimento. “Grande parte chega com transtorno de aprendizagem. A escola até percebe, mas pede para os pais buscarem diagnóstico e ajuda particular”, explica.
Para Celeste, cada caso é único. “Normalmente o aluno vem frustrado para o reforço, e é preciso trabalhar autoestima e valor. Nem sempre é defasagem de aprendizagem.”
Estratégias criativas e resultados
Além das aulas tradicionais, a professora recorre a estratégias criativas para engajar os alunos. Jogos de tabuleiro e aplicativos educacionais ajudam no treino de operações básicas, leituras estimulam a imaginação e músicas se tornam ferramentas de memorização.
Os resultados confirmam a potência da iniciativa. Celeste destaca a evolução de seus alunos, “Durante o processo, o aluno vem com a famosa frase que é a realização de todo professor: ‘Ah, agora entendi!’. Não tem preço.”
Educação que ultrapassa os muros da escola
As aulas de reforço em espaços improvisados revelam como a educação pode estar em todos os lugares. Em meio às dificuldades, professores e famílias criam soluções que ultrapassam os muros da escola e reafirmam a educação como direito coletivo.
“O reforço entra quando todos já falharam, então costuma ser o último recurso para a família, mas é um investimento recompensado com a visível evolução do aluno”, resume Celeste.
Mais do que melhorar notas, o reforço escolar tem ensinado lições de acolhimento, resistência e esperança.
Fontes:
https://www.nexojornal.com.br/grafico/2025/04/28/por-que-jovens-nao-terminam-a-escola-motivo