Creches em Osasco: promessas políticas contra a realidade

 Creches em Osasco: promessas políticas contra a realidade

Foto ilustrativa: Mundo da Criança Guaçu Piteri maior creche do País (Prefeitura de Osasco)

Por Letícia Lima Laurino 

A ampliação do acesso à educação infantil tem sido uma das promessas mais recorrentes nas campanhas políticas em Osasco nos últimos anos. Com uma população de mais de 700 mil habitantes, a cidade da Grande São Paulo enfrenta um desafio persistente: a alta demanda por vagas em creches públicas, especialmente nos bairros mais periféricos.

Promessas x realidade

Relatórios recentes da Câmara Municipal e dados da Secretaria Municipal de Educação ainda indicam a existência de uma fila significativa de espera, especialmente para crianças de 0 a 3 anos – faixa etária de maior carência na rede pública. Embora o número total de vagas tenha aumentado com a inauguração de novos CEIs (Centros de Educação Infantil), a demanda segue superando a oferta.

Expansão parcial da rede

Nos últimos anos, a prefeitura anunciou a entrega de novas creches em bairros como Jardim D’Abril, Conceição e Padroeira, com capacidade média para 150 a 200 crianças por unidade. Em 2023, foram inauguradas ao menos três novas unidades, e há previsão de mais entregas até o fim de 2025, segundo o Plano Plurianual (PPA) disponível no portal da transparência municipal.

Além disso, a gestão tem investido em parcerias com creches conveniadas, modelo que já atende parte considerável das crianças matriculadas, mas que enfrenta críticas de especialistas pela qualidade desigual do atendimento em comparação com as unidades diretas da prefeitura.

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Dados e transparência

Segundo dados do Censo Escolar de 2023, Osasco possuía cerca de 18 mil crianças matriculadas na educação infantil, entre creches e pré-escolas. Estima-se, com base em projeções do IBGE, que mais de 25 mil crianças estejam em idade de creche na cidade, o que aponta para um déficit ainda considerável de vagas, especialmente nas áreas de maior vulnerabilidade social.

Apesar dos esforços da administração municipal, a falta de informações atualizadas e detalhadas sobre a fila de espera, como número total de crianças aguardando vaga por bairro, tem sido alvo de cobrança por parte de vereadores da oposição e de organizações da sociedade civil.

Mães à espera, empregos em risco

Enquanto o poder público debate metas e recursos, a realidade bate à porta das famílias. Mães solo e trabalhadoras informais são, em geral, as mais afetadas. A ausência de uma vaga em creche muitas vezes significa a impossibilidade de trabalhar fora, o que impacta diretamente a renda familiar e a autonomia das mulheres.

O que dizem os especialistas

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o acesso universal à educação infantil é uma das formas mais eficazes de combate à desigualdade social. Investir na primeira infância, além de beneficiar as crianças, fortalece o tecido social e contribui para o desenvolvimento econômico local.

O que falta?

Apesar das conquistas, como o aumento de unidades e o investimento em parcerias, Osasco ainda enfrenta gargalos estruturais, orçamentários e de gestão. A expectativa é que o próximo ciclo eleitoral volte a trazer o tema das creches ao centro do debate e que a pressão por resultados concretos venha, sobretudo, da população.

Letícia Lima Laurino dos Santos

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