Artesãs transformam criatividade em fonte de renda

Entre linhas, tecidos, colas e retalhos, três mulheres compartilham histórias de persistência, criatividade e resiliência, transformando o artesanato em parte da economia criativa, como fonte de renda, terapia, sustento e expressão.

 

Produção voltada à moda sustentável
Desde os 10 anos, Antonia Aparecida Canuto aprendeu bordado livre com a mãe e, mais tarde, foi conduzida ao crochê e ao tricô pela irmã mais velha. “Minha curiosidade me levou a buscar cada vez mais. Me aventurei em várias técnicas. No começo era terapia, mas, quando me encontrei em uma situação difícil, após uma separação e três filhos para cuidar, acabou virando uma fonte de renda”, conta.
Antonia trabalha com costura criativa, moda sustentável e técnicas como patchwork, crazy, bordado à máquina, ponto cruz, vagonite e pintura em tecido. Apesar da habilidade manual, ela reconhece que a maior dificuldade está no mundo digital. Mesmo assim, segue atualizando a página @nosso_atelie01, onde expõe as criações.
A virada nas suas criações veio com uma peça simples: um puxa-saco. “Ao aprender e fazer, coloquei minha criatividade em prática. Foi um divisor de águas. Me mostrou que estou no caminho certo. Ser empreendedora no artesanato é luta diária, persistência, empenho, dedicação e muito amor. A gente precisa acreditar acima de tudo”, afirma.

 

Especialização em peças produzidas com EVA
Já Sueli Aparecida Carvalho, começou a trilhar o caminho do artesanato em 2003, quando preparou lembrancinhas para o casamento do irmão. A inspiração veio de uma revista, mas o aprofundamento veio com cursos online. Sua especialidade são as peças em EVA: bonecas, canetas decoradas, ponteiras, porta-papéis e lembranças diversas. “A base do meu trabalho é o EVA. Uso bola de isopor, CD, cola quente e cola instantânea. Depois do curso, uso a criatividade. Faço o que os clientes pedem e o resto sigo minha inspiração”, diz.
Sueli participa de feiras e mantém as encomendas em movimento graças ao boca a boca e às divulgações no Instagram.

 

Artesanato afro como resistência cultural
Aos nove anos, a artesã Claudia Cristina Caetano já costurava bonecas de pano. “Minha mãe me ensinou a costurar numa máquina Vigorelli”, lembra. Em 2004, foi apresentada ao biscuit e, após apenas cinco aulas, a professora a dispensou. “Ela disse que eu estava melhor que ela. Ali eu entendi que podia vender a minha arte.”
Claudia encontrou no artesanato afro uma forma de exaltar a cultura negra e desconstruir o preconceito. “Trabalho com artesanato afro porque ele divulga a cultura e a beleza negra. Amo demais trabalhar com biscuit. Gosto de moldar as peças e adoro costurar também.” Para criar, ela se inspira em rostos, movimentos e referências visuais. “Junto pessoas e pesquisas e a peça acontece”, fala. Seu trabalho pode ser conferido no Instagram @art.abana.

 

 

Vivian Domingues Mattos

Jornalista gaúcha. Formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Atua na produção de reportagens com enfoque em temas de comportamento, saúde, cultura e direitos humanos.

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